No sótão dos enigmas...
Moravam pombos...
Mas agora...
Emergem fantasmas...
Nascidos de ninguém...
Quando aqui cheguei...
Já estavam a minha espera...
Deixarei a janela aberta...
Quem sabe os pombos regressem...
Nem que seja por breves instantes..
Sempre vale a espera...
O que vai a mim, não sou eu
o que está em mim, se perdeu...
o que faz tão largo,
este residente amargo?
Por que o que me arvora,
incólume, me devora?
O que vem de mim, não é meu
o que passa por mim, esvaeceu...
por que este âmago latente
que finge, morre em mim,
e mente?
O que pesa em mim, corroeu
o que leva de mim,
dentro, e perto, e centro
estremeceu...
por que e onde d’essa ânsia,
que já é fulcro e reentrância ?
Por que o que preso, excreta,
e me assola, e se decreta?
O que jaz por mim, já viveu
o que vive em mim, já jazeu
o que foge de mim, pariu
o que queima de mim
já esmoreceu...
o que longe de mim, partiu
o que próximo de mim,
nada mais aconteceu...
Chico Buarque sempre deixou implícito em suas composições, a insatisfação com a opressão das oligarquias, o repudio a ditadura militar e o domínio do capital estrangeiro no território brasileiro. E não poderia ser diferente. Na época, em que suas composições mais marcantes foram divulgadas, o Brasil, atravessava um dos períodos mais traumáticos de sua historia. No ano de 1964 instaura-se no país a ditadura militar. Aquela situação caótica, toda a problemática social, o drama vivido pelo povo brasileiro naquele momento, tornam-se matéria primordial nas composições de Chico.
Entre tantas, "Fado Tropical" é uma das minha favoritas
Acredito que Chico faz uma provocação ao povo brasileiro, quando ele mostra um Brasil, colônia de Portugal, que se tem um apego de mãe “pátria mãe", que nunca se desatrela enquanto for dela dependente, a provocação se faz, fazendo uma alusão aos dias de hoje em que ainda somos dependentes do imperialismo e do capitalismo.
A música mostra que podemos ter uma vida própria, que temos culturas e objetivos e uma soberania a resgatar.
Ele retrata a revolução de *Avis, que centralizou e unificou politicamente Portugal, revolucionando, surgindo o primeiro Estado europeu. Onde possibilitou posteriormente o pioneirismo português, sair à frente nas grandes navegações. Ele chama o Brasil com urgência a copiar o modelo, pois vivia-se na época, uma ditadura militar, quando a musica foi composta e divulgada. Ele satiriza e ao mesmo tempo, nas entrelinhas, fala de revolução e luta, citando Portugal, nosso colonizador de exemplo.
*A Dinastia de Avis, ou Dinastia Joanina, foi a segunda dinastia a reinar em Portugal, entre 1385 e 1581-1582. Teve início no final da crise de 1383-1385, quando o Mestre da Ordem de Avis, D. João, filho natural de El-rei D. Pedro I, foi aclamado Rei nas Cortes de Coimbra.
Abrem-se arcas remotas
brilham tesouros perdidos
em intervalos indefinidos
Sucessivamente em lapsos repetidos
retorna o movimento rotativo
no motor impulsivo
Antes é o que havia
Depois ainda há quem diga
que não são iguais o antes e o depois.
Vão e voltam
como o pêndulo de um relógio de corda
que mede o tempo a passar.
O passado faz o presente
o presente faz o futuro
não ouviste já falar?
Só que o passado retorna ao presente
que é o futuro que ainda não aconteceu
não há volta a dar
Alto! Há uma verdade
que faz o tempo parar,
o passado permanece passado,
o presente está-se a inventar.
Essa verdade
brilha nos meus olhos
à claridade do sol
encanta a minha vida
em fitas de cores vibrantes.
Tudo é belo.
Tudo é novo.
Quando se cria,
sem antes desejar
que depois o presente volte.
Tudo será novo!
Tudo será belo.!
Será?
necessariamente
tem que ter fim.
Hoje sei que as pedras do caminho
não
estão lá para mostrar-me a direção.
Hoje
desafio com rigor
cada angustia
ou desejo inconfessável,
recupero a distraída
bússola da alma,
obstáculos povoados
na memória indelével.
Falo como alguém
que
só tem ouvidos para verdade.
Não
suporto a mentira,
Não vou ocultar palavras.
vou remover a tua essência
para um verdadeiro renascer
na insustentável leveza de ser
apenas
Eu
Em algum lugar, encerrado no tempo, onde tudo aquilo que sonhamos é realidade, onde a
vida corre ao sabor da brisa de um vento que sopra suave. Nesse lugar, onde
encontramos a verdadeira liberdade, onde somos tudo aquilo que sonhamos ser,
esse lugar, é um céu azul, onde estiramos as nossas almas de pássaro e voamos.
E segues-me, num voo rasante sobre o mar, igualmente azul como este céu imenso
que nos segura com fios invisíveis. Este Sol, por nós inventado é luz que te brilha
na alma como farol em noite escura. A felicidade, encontrá-la-ás aqui, neste
lugar escondido nos confins dos nossos sentidos. E saltamos, precipitando-nos
como chuva de verão nas águas calmas deste oceano, como peixes afagados pela
água pura que nos preenche.
E do perfume dos teus cabelos solta-se a fragrância que me guia neste paraíso
perdido, lugar encantado onde as fábulas que te escrevo são tão reais que as
podes tocar, tocar-me, num abraço profundo, onde nossas bocas se colam e se
beijam alimentando as almas, preenchendo todos os sentidos numa explosão de
prazer que extravasa os corpos e nos enche a libido sem que as peles se toquem.
Uma gaivota de nome Fernão decide que voar não deve ser apenas uma forma para a ave se movimentar. A história desenrola-se sobre o fascínio de Fernão pelas acrobacias que pode modificar e em como isso transtorna o grupo de gaivotas do seu clã. É uma história sobre liberdade, aprendizagem e amor.
Fernão Capelo Gaivota é um romance de Richard Bach, publicado em 1970. Publicado originalmente nos Estados Unidos com o título de "Jonathan Livingston Seagull — a story", foi lançado neste mesmo ano no Brasil como "A História de Fernão Capelo Gaivota" pela editora Nórdica.
O livro é uma alegoria sobre a importância de se buscar propósitos mais nobres para a vida. O autor usa uma gaivota como personagem principal. Um pássaro que, diferente dos outros de sua espécie, não se preocupa apenas em conseguir comida. Este está preocupado com a beleza de seu próprio vôo, em aperfeiçoar sua técnica e executar o mais belo dos vôos. Uma metáfora sobre acreditar nos próprios sonhos e buscar o que se quer, mesmo quando tudo parece conspirar contra isso.
Para quem se interessar... encontrará o filme na integra e traduzido, neste endereço
http://video.google.com/videoplay?docid=3911017791000432901# O filme faz uma analogia entre o homem e a gaivota, no sentido de mostrar as dificuldades de superação dos limites, do encontro com a liberdade verdadeira, pautada no amor e na compreensão do outro.
Ainda com o gosto de pastilhas de hortelã na boca, sinto o tédio da manhã que começa. Me veio uma lembrança e uma pergunta. Vampiros existem? Um dia eu conheci um vampiro! Ele adivinhava meus pensamentos. Dizia, que estaria em meu quarto todas as noites para me proteger e me ver dormir. Escutava rock. Tinha um gosto refinado e a eternidade nas palavras. Por muito tempo, mesmo tendo vidas paralelas, eu aqui, ele lá. Estávamos cientes da nossa condição, de vivermos longe, mas ligados por um sentimento humanamente inexplicável. Sempre que eu entrava em contato com ele, despertava um mundo desconhecido em mim. Era muito grata por ele me trazer de volta a mim mesma. Esses dias foram gloriosos; falávamos de Anjos e Demônio, ele gostava desse tipo de assunto. Dizia-se fã de minhas ideologias. Ele alimentava-se da minha energia e eu da dele. Era uma troca justa.
Sim, vampiros existem. Não pra todo mundo, apenas pra quem acredita. Eventualmente eles aparecem. E desaparecem. Viram anjos e passam a habitar as terras longínquas, destinadas as doces lembranças; a minha lembrança tem um sabor de pastilhas de hortelã e o aroma de um único verão. A missão deles é nos ensinar a gostarmos da vida, e entendermos a imortalidade. Viver intensamente de forma apaixonada. Ele também segue sua própria vida paralelamente sem alterações aparentes. Não pode interferir em muita coisa. A condição não permite. Isso tudo parece pertencer a uma vida tão distante, que nem parece ser mesmo a minha. Uma história de alguém perdido em algum lugar… Acordo. E vejo que aconteceu. Isso realmente aconteceu!