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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O jardim secreto

Inicia o dia com aroma de outono, com um sol tímido, apenas se faz notar por entre a folhagem húmida da tua floresta. Estou a muito acordada, esperando que o dia chegue. Cruzei a noite, que se vestiu de mim, na plácida tranquilidade do teu silêncio. Espero agora pelos sons do dia.
 
O cansaço massacra o corpo, mas o espírito sempre desperto força-me a estar acordada, mesmo quando estou dormindo. Durante o dia o corpo onde vivo insiste na vida, incessantemente. De noite, a alma que nele habita, deixa este corpo dormir, fazendo-o estar acordado para sonhar.
 
Encontro a paz, no silêncio das manhãs frias de Outono, nos dias chuvosos de Inverno, ou, na calmaria das noites de Primavera. Sempre aqui, sentada no meio da floresta encantada, sob a sombra destas árvores milenares. Olho os dias e escuto as noites, que passam, nesta dimensão fantástica que caminha par a par com a realidade, sem se tocar.
 
Nesse jardim encantado, onde escondes as tuas memorias... Passeia a magia que carregas contigo, espalhas no ar mil fragrâncias para mais tarde saber por onde voltar. Esse manto enevoado que te esconde o rosto, torna-te um ser quase irreal. Nesta floresta misteriosa, onde sempre te procuro encontrar, perco-me na refrescante densidade da floresta, que contrasta com o brilho da tua pele de Lobo.
 
O cantar dos pássaros que adormecem no teu jardim, diluiu-se na atmosfera enigmática e silenciosa de um mundo criado à tua imagem e semelhança. A beleza que reflete em ti é única, tu nem percebe. Ela expande-se por esse teu universo, e tu, com teu instinto, caminhas indiferente, sobre as folhas amarelecidas deste Outono que vai chegando.

Entre a bruma, sinto o pulsar do teu corpo, e a tua alma trespassa cada ramo, cada folha, fazendo-se presente em cada flor e gota de orvalho que ilumina o caminho à minha frente. Aqui, a noite nunca é completamente escura, e o dia, nunca é completamente luz, neste equilíbrio que advém do fundo do teu ser, é o relógio que marca o tempo, neste lugar escondido, no fundo da tua alma solitária. Observo tudo desta imensa gaiola reservada aos esquecidos, sou apenas uma errante e proscrita... Apenas observo. Espero pelas primeiras gotas de chuva, que hão de lavar-me o corpo, limpar-me a alma e adormecer-me o espírito, para que se purifique e renasça para um novo momento de vida.




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