Total de visualizações de página

sexta-feira, 4 de março de 2011

.*. Desafio .*.


No fio de uma navalha...
Na beira de um abismo...
Encontra-se o limiar, 
o equilíbrio antes da queda.
Em direção ao nada,
com a certeza na mente
que uma aragem em movimento,

me precipitará ao sem retorno. 

O espaço a minha frente
é um apelo a liberdade.
A uma imensidão abaixo de meus pés,
pedindo-me que avance mais um passo,
pra sentir a fragrância do ar em movimento

que envolve o corpo na queda livre. 

Sei que num momento estólido a coragem virá...
Deixarei a segurança que antecede a loucura,
para desafiar de vez a gravidade...
Libertar a alma deste cárcere,
enquanto sentirei asas crescendo nas costas.
Meu primeiro vôo no azul sem fim...

(¯`·._)(¯`·._)  (¯`·._)(¯`·._)




                                                                                                                       

Mediante o inevitável, nossos medos já multiplicados só esperam o momento do último instante. Ficamos diante de nós mesmos e de nossos enganos. Damos um singelo adeus ao rosto marcado pelo tempo, pelo pouco amor, pela dor. Tocamos o mesmo corpo que foi nossa casa, nossa casca, nossa armadura e parece que estamos como sempre e na verdade sempre fomos assim.

É estranho, mas as perguntas mais absolutas estão bem ali. Elas só esperavam o momento certo e eis que ele chegou. Elas falam das respostas que nunca demos, dos lugares que não marcamos presença, dos beijos que não roubamos. Consigo enlouquecer mais uma vez, pois que sentido há em saber como teria sido se já não pode ser feito?

Diante do fim as coisas devassas são criaturas divinas e os anjos de Deus são lamparinas apagadas. Eu me lembro daquela velha árvore seca... Ah, como lembro! Ela jamais perdeu um galho sequer; nunca perdeu sua identidade e para que serve sua existência? Ela viveu do jeito que tinha que ser. Não precisava de nada mais; nem de solo fértil nem de grama verde. Ela jamais viu sua sombra.

E a pergunta esta ali. "Não seria eu a sombra que falta a esta árvore?" "Não seria eu - seca e inútil - a ocupar o espaço que falta ao chão?" Minha imaginação dá folhas aos seus galhos e estas folhas contam a minha vida. Eu sei que o tempo não esta a meu favor. Mas quem se importa? Eu? A árvore? Não... Nós não.

Eu sempre vivi cada passo de uma vez, um gole de cada vez. Eu também estive seca todos estes anos e a esperança nas mudanças me tornou uma pessoa  que acreditou numa vida de mentiras. Sempre dando um jeito para tudo; sempre sorrindo para todos. Sempre consertando os erros dos outros. E os meus, quem consertou os meus? Você? As medidas exatas, as histórias perfeitas, as datas certas... Esta foi minha vida, minha ilusão.
Eu nunca chorei a sem motivos, eu nunca fiz nada sem motivos, talvez esses sejam as minhas melhores justificativas, eu nunca... Eu nunca arrisquei demais, comi demais, fui feliz demais. E agora alguém diz que devo partir. Como posso partir? O que devo levar o que devo deixar? Quem chorará por mim? Quem se lembrará de mim?
Perguntas, malditas perguntas...
Para onde vou se não conheço lugar nenhum? Quem me espera? Esperam-me?
Abro bem meus olhos e sem mais perguntas (nem respostas) me apresento ao fim.


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com

quinta-feira, 3 de março de 2011

.:*:.Debilidade



Esta lânguida  manhã,
insiste,
quer vestir-se 
de outono
e entorpecer meu dia.
Morna melancolia
se aproxima novamente,
é o sono da depressão.
Falsa serenidade,
trabalho inglório
querer dete-la
e esconder 
o sol tépido,
por atrás das brumas
translúcidas de minhas lembranças.
A memória
é um algoz fiel.  







MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com